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11 junho 2009

Seu Leônidas da Pharmácia.

Um dia estava vendo tv com minha amiga e estava passando sobre uma cantora lá, uma mulher que era muito bonita, tinha uma bela voz, atitudes e personalidade fortes e que tinha um filho que fez a minisérie para ela. Até aí tudo bem, mas eu não sabia nada sobre essa cantora e foi só eu perguntar que me olharam com cara de espanto, como quem perguntasse: '-Como assim você não sabe quem é ela? Que falta de cultura!' A partir daí entrei numa profunda reflexão e vi que a cantora poderia até ser muito importante, mas se não fosse o filho dela a fazer uma homenagem na tv aberta, provavelmente quase ninguém da minha idade saberia quem ela foi. E aí fiz crítica àquela mulher (hoje entendo que sem motivos), me perguntei o porquê de falar tanto de uma cantora excêntrica e esquecer alguns Joãos e Josés do mundo que talvez tenham feito coisas mais grandiosas. Resolvi então que de alguma forma, tentaria falar dessas pessoas (mesmo que meu humilde blog não tenha a repercursão que uma grande emissora de tv). Primeira pessoa que veio a minha mente foi meu avô (por parte de mãe), ele era bem simples, usava sempre os mesmos tipos de roupas (calça cinza, blusa de botão branca com listras, meias cinzas e sapatos marrons), tinha cabelos (cabelos?) branquinhos e uma careca com algumas pintinhas, olhos azuis da cor do céu e embora nunca tenha visto, sei que ficavam verdes quando ele bebia cerveja. Ele cantava musiquinhas que nunca entendi, e espremia os olhinhos para ver qualquer coisa, atravessava a rua sem medo nenhum e saía de casa todo dia pra comprar um lanchinho e uma cervejinha. Não tinha essa de bons modos, embora ele nunca tenha sido mal educado, não fazia uso de convenções sociais hipócritas. Ia à missa e mesmo que não ouvisse nada, sabia que deveria prestar atenção ao Evangelho e que depois da Comunhão poderia sair da Igreja sem ter que ouvir os recadinhos do padre. Adorava carnaval e se fantasiava mesmo, dançava mesmo sem ouvir a música, se enrolava na lama e sempre estava se bom humor (quando não estava, ficava quietinho sentado na sua cadeira de balanço que ninguém nem desconfiava se estava triste ou não. Enrolava os dedos quando estava pensando e quando alguém reclamava dizia que não escutava nada mesmo. Era macio de abraçar e adorava dar beijos (as vezes babados!). Gostava de comer de tudo, qualquer coisa a qualquer hora e mesmo com seus 90 anos não deixava de fazer seus exercícios andando por aí. Me lembro de tantas coisas que seria impossível escrevê-las aqui. O que me faz pensar é o que ele era antes de ser meu avô. O que ele deveria sonhar na minha idade? Como ele era quando jovem? Sei de poucas coisas e sei que ele nasceu antes da Primeira Guerra, em 21/11/1916. Que ele começou a fumar cedo e vivia numa fazenda de fumo em Minas Gerais. Torcia para o Cruzeiro, mas quando veio pro Rio, escolheu o Fluminense. Fez um curso que na época correspondia a uma faculdade, mas aprendeu de verdade no dia a dia de uma Farmácia. Depois conseguiu abrir sua própria farmácia, cujo nome era Pharmácia São Sebastião. Era o dono, o empregado e inventava fórmulas. Muito mais que um farmacêutico, era um médico, um doutor de verdade. Aqueles que não podiam pagar, eram atendidos da mesma forma que aqueles que vinham de São Paulo oferecendo muito dinheiro pelas suas fórmulas milagrosas e secretas (até hoje). Casou-se, amou, foi pai e teve muitas dores de perder um amor e de perder aquilo que mais se ama, que é um filho. Não sei se posso falar da dor que sentiu, mas continuou a ser feliz, pois no fundo acreditava que a vida continuava, tanto para os que ficavam quanto para os que foram. Sabia que a morte era só a descida do trem numa estação qualquer. Tinha um coração bom e puro (isso afirmo com certeza) e adotou uma menina que estava meio sozinha e perdida num hospital. Sua farmácia (ou melhor, pharmácia) ia bem e logo conheceu a minha avó. 'Seu Leônidas da Pharmácia', como era conhecido pelas pessoas de Nova Iguaçu, fez fama. Se você for iguaçuano pergunte a seus avós se já ouviram falar dele. Garanto que ele já deu injeções em seus pais e tios! Em meio a noite badaladas nos clubes mais chiques e com companhias agradáveis, nunca deixou sua simplicidade de lado. Ganhou muitas coisas por ter salvo vidas de pessoas (sim! SALVOU VIDAS!) e teve seus dias de glórias e alegrias. Foi pai novamente e deixava com que minha mãe subisse em suas costas e o fizesse de cavalinho, não queria nem saber se isso era elegante ou não. Além de ser pai da minha mãe e de sua filha adotiva, era pai de uma cidade (que hoje em dia não dá a mínima para ele, por enquanto!) O tempo passou e dedicou-se inteiramente ao ato de ser avô, brincava comigo e me levava a todo canto, sempre dizia as mesmas coisas que eu já sabia de cor (hoje em dia não me esqueço de nada que disse), aguentava minhas malcriações e ria de si mesmo se caísse no meio da rua. Reclamava dos camelôs porque queria que todos cumprissem a lei e enfrentava filas e filas só pra comprar um lanche pra mim. Depois disso tornou-se um 'rapaz' de entregas e buscas, fazia o que pediam e não cobrava nada. E nem queria cobrar, os seus interesses eram outros. Gostava de bichos. Muito raramente perdia a paciência comigo e era sempre mais engraçado do que temeroso. Chorei uma vez quando disseram que eu era louca e foi ele quem me abraçou mesmo sem entender nada. Não parava quieto, levantava, subia, descia, sentava, comia, falava.. e com isso irritava as pessoas. Irritava porque tinha vida, vida que emanava de todas as partes e não parava de querer se manifestar. Seus aniversários não tinham bolo, nem bolas nem nada. E ele nem lembrava que fazia aniversário. '- Parabéns vô! -Por quê? - Hoje é seu aniversário ué! - Aaah hehe, hoje é meu aniversário!' E assim vivia, distribuindo favores altruístas, sentimentos e beijos (muitos beijos!) A mesma vida que ele sempre esbanjou, sempre quis que se manisfestasse, que nuca deixou com que ele ficasse um segundo sequer quieto no seu canto (como fazem os que não vivem), a mesma vida se esvaiu um dia. Não que não valha a pena entrar no mérito da questão, mas resumidamente sei que a vida acaba, mas a existência não. E com certeza a existência dele sobrevive nele mesmo, em mim, em todos que o conheceram, em todos que vivem graças a ele! E sei que sua existência sobrevive independente de qualquer coisa, afinal ele só desceu do trem. E mesmo assim, manda-me seus cartões postais da onde está, dizendo-me para que continue nesse trem maluco, que está me acompanhando, me vendo, crescento comigo e com todos que amam. Ele me diz que devo seguir meu sonho, que ele se orgulhará e que ele sabe que nos encontraremos nas estações por aí, um dia. Não importa que ninguém faça séries de tv com seu nome, vô, nem que ninguém nunca tenha agradecido quando enfrentava filas para fazer favores, não importa que teu corpo não tenha sido repousado no lugar mais lindo da Terra. Não importa que nada faça sentido. Não importa, porque para pessoas como você, coisas bobas não importam. Cresça! Desejo que cada vez mais esteja com o Pai e sei que está no caminho certo. Me abençoa e me ajuda a estar também! Amo muito você. Abraços da sua 'gatinha'.

06 maio 2009

A Vida é Tão Rara!

Hoje eu percebi o quanto a vida é rara e frágil. É feito um fio de cabelo esticado, pronto para arrebentar a qualquer momento. Isso é estranho e me faz pensar em um monte de outras coisas. Qualquer desequilíbrio faz com que esse fio se rompa. Isso varia de pessoa para pessoa mas ninguém tem um fio mais forte do que o outro. Isso é muito, muito estranho mesmo! Penso que não poderia ser justo se tudo fosse como alguns acham que é. Só uma vida, só um fio, rompeu, rompeu! Morreu, tá morto! Como assim? Isso não faz sentido. Não faz sentido um esforço gigantesco, uma probabilidade quase impossível pra depois acabar e acabar. Não posso acreditar nisso. Mas também não posso acreditar em fantasias absurdas de historinhas de pós morte. Esse mistério serve pra algo. Claro que serve! Vai ver que descobrir seu sentido seja o grande objetivo disso tudo. E depois de descobrir? Fazer valer a pena, é claro!

05 maio 2009

Os Outros.

Já conheci muita gente/ Gostei de alguns garotos/ Mas depois de você/ Os outros são os outros/ Ninguém pode acreditar/ Na gente separado/ Eu tenho mil amigos mas você foi/ O meu melhor namorado/ Procuro evitar comparações/ Entre flores e declarações/ Eu tento te esquecer/ A minha vida continua/ Mas é certo que eu seria sempre sua/ Quem pode me entender?/ Depois de você, os outros são os outros e só. (Te Amo!)

07 abril 2009

Você e Eu.

'Nós dois, unidos constituimos uma multidão' (Ovídio)

06 março 2009

Amor, meu Grande Amor!

Fiquei com vontade de falar sobre alguém que alegra meus dias, alguém que me acolhe nos melhores braços, se importa com o que eu penso e sinto. Alguns podem estar pensando: 'ela vai se declarar pro namorado'. Mas digo que não é isso. Namorados não são tão importantes quanto ele é. Antes de ser namorado, ele é amigo, colega, companheiro. Quero falar para uma pessoa, não pra um simples namorado. Essa pessoa sabe de tantas coisas que já aconteceram conosco, essa pessoa sempre esteve ao meu lado, me respeitando e auxiliando em todos os momentos. Temos uma relação indescritível, um tanto mística, que nos fez sentir seguros nos braços um do outro mesmo em horas de tempestades. Namorados existem aos montes pelo mundo, Raphael Luis Dias Campos só tem um! E é meu companheiro, amigo, salvador e abraçador oficial! Alguém indescritível e ao mesmo tempo com tantas descrições que nem consigo ordená-las em meu pensamento. Sei que tenho sorte, porque sou inteiramente dele e ele é inteiramente meu. Só isso e mais nada. Não posso dizer que te amo, passei dessa fase. O que sinto por você vai além de qualquer som e palavra dita. Por isso, aqui encerro, no meu mais retumbante silêncio (dedicado a você).

27 novembro 2008

Distantes de Tudo.

Veja o sol/ Dessa manhã tão cinza/ A tempestade que chega/ É da cor dos teus olhos/ Castanhos/ Então me abraça forte ♥/ E diz mais uma vez/ Que já estamos/ Distantes de tudo/ Temos nosso próprio tempo..

21 dezembro 2007

Dizer: Eu Te Amo

Uma vez numa conversa com a avó de uma amiga, surgiu um assunto temeroso: reconhecer o amor da nossa vida! Eu prestava atenção em tudo que ela dizia, era interessante ouvir as histórias da época dela, eu ficava imaginando como deviam ser as coisas. Até que ela me disse como foi difícil a primeira vez que ela disse "eu te amo" para alguém! Que ela ficou nervosa, tremendo, que ele olhou nos olhos dela e sorriu admirado com essas palavras, que a partir de então as coisas entre eles mudaram, a vida deles passou a ser conjunta. Isso me levou a uma reflexão: por que hoje em dia essas palavras tão bonitas, simplesmente não causam mais tanto efeito?! Ninguém mais se sente emocionado ao ponto de chorar quando um menino vira e fala que te ama. Beem, ninguém não! Eu ainda me sinto! Mas, falo da maioria... Ninguém sente o que se sentia tempos atrás. Por quê? Deve ser pelo simples motivo de hoje em dia tudo e todos serem amados! No orkut vemos pessoas dizendo que amam carros, amam rosa, amam preto, amam o sol, amam a chuva, amam encher a cara, amam rede, amam televisão, amam o celular.... Ah! Amar um celular?! Meus Deus, o que tem na cabeça de uma pessoa que diz que ama um celular?! As coisas se tornam mais complicadas ainda, quando se tratam de pessoas. Um belo dia, você está numa balada e conhece uma menina muito simpática, no dia seguinte acha ela no orkut, duas semanas depois ela já te manda um depoimento dizendo "ti amuuulll mto miguxa! vc tá no meu s2. conta sempre! best " ... Qualquer pessoa aceitaria o depoimento e pensaria que ganhou uma nova amizade! Já eu, acho que levaria um grande susto! Acho que ficaria sem falar com a pessoa por um bom tempo, não por raiva, mas por medo! Isso é muito assustador para mim! Muito mesmo! Mas, para quem ama um celular, isso não é nada. Aah! Eu devo estar fora de moda! Mas pensando aqui comigo, ser fora de moda, as vezes, é muito muito bom! Os sentimentos estão tornando apenas palavras bonitas, mas só para lembrar, sentimentos se sentem e não, simplesmente, se escrevem. As vezes, prefiro não amar ninguém!